Carta aberta de ABCDT, SBN e Fenapar pede política permanente de remuneração do tratamento que mantém vivos mais de 170 mil brasileiros.
Três das principais entidades ligadas à saúde renal no país enviaram, nesta semana, uma carta aberta aos candidatos à presidência da república, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), pedindo que assumam publicamente compromissos com o financiamento da diálise no Sistema Único de Saúde (SUS).
Assinado pela Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante (ABCDT), pela Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) e pela Federação Nacional dos Pacientes Renais e Transplantados do Brasil (Fenapar), o documento defende que o tema seja tratado como política de Estado, “independentemente de quem vencer as eleições”.
Segundo as entidades, mais de 170 mil brasileiros dependem de terapia renal substitutiva para sobreviver, e cerca de 85% deles são atendidos pelo SUS. A diálise é o procedimento que realiza artificialmente a função dos rins, filtrando o sangue quando os órgãos deixam de funcionar. Em muitos casos, precisa ser feita três vezes por semana, durante todo o ano, sem possibilidade de adiamento. “A diálise não é uma escolha. É um tratamento essencial à vida”, afirma a carta.
Defasagem no tratamento de diálise persiste
Em 2026, o setor recebeu reajuste de 4,4% na tabela do SUS, somado a um crédito financeiro de 10,16%, o que resultou em incremento próximo de 15% para os serviços contemplados.
As entidades reconhecem o avanço, mas afirmam que continua existindo uma diferença significativa entre o custo efetivo da assistência e o valor pago pelo sistema público.
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Para elas, o problema vai além do caixa das clínicas. Sem financiamento adequado, fica cada vez mais difícil manter equipes, equipamentos, insumos e padrões de segurança, além de reduzir a capacidade de abrir novos serviços onde a demanda cresce. O risco, segundo a carta, é de filas maiores, deslocamentos mais longos e menos oferta de tratamento.
O documento lista oito compromissos a serem assumidos pelos candidatos:
- Mínimo constitucional da saúde: cumprir o piso federal de gastos com saúde, com previsibilidade e suficiência de recursos.
- Cofinanciamento: fortalecer a participação regular de estados e municípios no custeio do SUS, reduzindo desigualdades regionais.
- Tabela SUS: corrigir os valores da diálise e criar política permanente de atualização, compatível com os custos de pessoal, insumos e operação.
- Créditos tributários: assegurar sua cessão e utilização para desonerar a diálise peritoneal da bitributação (cobrança simultânea de um mesmo imposto por dois entes públicos diferentes).
- Emendas parlamentares: aplicá-las com planejamento, critérios técnicos e transparência, em vez de destinações fragmentadas ou eleitorais.
- CVCF: manter o crédito financeiro complementar durante todo o próximo mandato presidencial, com diálogo prévio em caso de mudanças.
- Indústria nacional: estimular a produção no país de insumos e equipamentos médico-hospitalares, para ampliar a segurança de abastecimento.
- Linha de cuidado renal: construir, em diálogo com o setor, uma política que vá da prevenção na atenção primária à alta complexidade.
Ao final, as entidades afirmam que as propostas dizem respeito ao direito à vida e ao acesso universal à saúde, e não apenas aos interesses de um segmento.
“A diálise não pode parar. O financiamento também não”, diz a carta, que pede aos candidatos que apresentem à sociedade suas propostas para o futuro da terapia renal substitutiva no país.
Fonte: https://amadomundo.com/entidades-cobram-garantia-financiamento-dialise/ – 22/10/2026

