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Sem reajuste há quatro anos, pacientes e clínicas temem colapso da hemodiálise pública

Há quatro anos sem reajuste no valor por sessão de hemodiálise, representantes alertam para o possível fechamento de clínicas do SUS

Clínicas de hemodiálise e pacientes renais protestam, nesta quinta-feira (26), pelo reajuste de 46% no valor da sessão do tratamento. Representantes do setor alertam para o risco de fechamento total de unidades ou o encerramento de contrato para atendimento de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

O protesto é o ‘Dia D da Diálise’. A data, liderada Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante (ABCDT), é uma forma de reinvidicar o reajuste na tabela do SUS, que não é alterada desde 2017 pelo Ministério da Saúde.

Com 144 mil pacientes renais crônicos em tratamento, sendo 85% deles financiados pelo SUS, o País sofre com a situação. O médico nefrologista Joaquim Pinto de Azevedo Neto, que atua na área de hemodiálise ambulatorial e hospitalar no estado de Pernambuco há 25 anos, conta que o valor de R$ 194 repassado pelo SUS por sessão, deteriorou por completo a capacidade financeira das clínicas de diálise.

“Se for somente pra recompor o valor pela inflação do período, esse valor deveria ser mais que 40%, lembrando que a inflação da saúde é mais que o dobro da inflação oficial do país”, conta o médico, que atua na rede pública e privada.

O aumento no valor da gasolina e o ICMS também interferiu diretamente nos custos dos insumos necessários para suportar o tratamento, que teve um crescimento de 450%. Com isso, clínicas sofrem o sério risco de fecharem.

A nutricionista e paciente renal há 26 anos, Gabriella Moreira, teme um colapso. No local em que faz o tratamento, a Clínica do Rim, localizada em Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata, ela afirma que os insumos para a realização da hemodiálise peritoneal — sessão feita por meio de um catéter no abdômen — tiveram uma diminuição drástica.

“Sem hemodiálise, eu não tenho como viver. Nem eu, nem nenhum outro paciente que faz o tratamento comigo. Se o SUS não paga, não temos como sobreviver. A gente tem lutado, tem se engajado,” detalhou.

Nas redes sociais, Gabriella luta pela causa e alerta para a importância do Dia D da Diálise. “Estamos em mais um ano lutando por essa causa. Não queremos ser mais um número, uma porcentagem, mais um na lista de espera por um transplante”

A pandemia da Covid-19 agravou ainda mais a situação na rede pública de saúde, que precisa de cada vez mais de insumos hospitalares, Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e a manutenção das máquinas de hemodiálise que, por serem importadas, são afetadas pela alta do dólar.

“Os nossos pacientes saem de suas casas 3 vezes por semana e fazem a sessão dialítica por 4 horas para manterem-se vivos. Não podem passar mais que 2 dias sem realizar o tratamento sob pena de falecerem”, alerta o nefrologista.

Além disso, a hemodiálise hospitalar sofre com a superlotação, já que novos doentes afetados pela Covid-19 que iniciam o tratamento dialítico não conseguem vagas nas clínicas.

Segundo estudo publicado no Clinical Journal of the American Society of Nephrology, estimam-se que aproximadamente 50% dos pacientes apresentaram lesão renal durante a internação ou depois da Covid-19.

“A população está envelhecendo e envelhecendo doente, muitos com diabete melito e hipertensão arterial, que são duas das principais causas de falência renal e necessidade de tratamento dialítico. Sem financiamento seguro e garantido por parte do SUS, não há como atender a toda essa demanda”, explica Joaquim.

Fonte: Folha de Pernambuco

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